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quinta-feira, 28 de outubro de 2010
A fama do bandido benfeitor prospera desde meados do século 14, a partir de poemas, baladas e contos. Robin promovia uma campanha de roubos espetaculares a viajantes na floresta de Sherwood, em Nottingham (no condado vizinho a Yorkshire), e repartia o butim com os mais pobres, desafiando a autoridade do príncipe e depois rei João I (um dos mais controversos monarcas ingleses, que comandou a nação entre 1199 e 1216) e a do tirânico xerife local. Mas os turistas que fotografam o túmulo do arqueiro (gravado em inglês arcaico e datado de 1247) só podem estar certos de levar para casa o suvenir e uma suposição. A lápide foi erguida no século 18, baseada no marco construído no ponto onde teria caído a última flecha disparada pelo herói agonizante, vítima da traição da prima, madre superiora do antigo convento de Kirklees.
Uma versão da trama é narrada em As Aventuras de Robin Hood (1883), escrito e ilustrado por Howard Pyle. Doente, o arqueiro procurou tratamento médico contra uma febre persistente. A freira, porém, aplicou-lhe uma sangria fatal, interessada em agradar ao rei... João. Como assim? O monarca não morreu em 1216, três décadas antes? Sim, morreu, e de forma bem pior que seu arqui-inimigo: definhou com disenteria.
Além do bosque em Dewsbury, há várias teses distintas sobre o local da sepultura, a terra natal ou a real identidade de Robin. É por essas e muitas outras que rastrear as pegadas do fora da lei mais amado da literatura pode ser um feito comparável a suas incríveis e ousadas peripécias.
Mais de meio milênio após as primeiras citações conhecidas a seu nome, é inegável o fascínio queRobin Hood ainda provoca. Seja como metáfora para identificar medidas de redistribuição de renda (a exemplo da pretendida taxação sobre transações financeiras internacionais para abastecer países subdesenvolvidos, o imposto Robin Hood), seja para apelidar iniciativas de banditismo social, como a do hacker da Letônia que, em fevereiro, vazou informações sobre os valores dos bônus pagos a executivos de seu país. Ou seja ainda porque a lenda volta às telas em maio, com Russell Crowe como protagonista e direção de Riddley Scott. O filme se junta a uma lista que ultrapassa 80 produções para cinema e TV baseadas nas vidas supostas e imaginárias do herói. Vidas paralelas que - esqueça as leis da geometria - muitas vezes se cruzam.
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